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flores silvestres

A arte do recomeço

  • 3 de jul. de 2023
  • 1 min de leitura


Dá medo. O novo é sempre desconhecido. Temos vontade de seguir na vida antiga, já tão conhecida. Recomeçar exige coragem, energia, disponibilidade.

Recomeçar exige desapegar. Deixar a morte e o luto passarem por nós.

É um mudar. Verdadeiramente uma arte.

Entender que a vida é soberana e prevalece sobre tudo e todos.

Assim, todo dia é um recomeço. Um nascer e um morrer.

Para dominar esta arte há que aceitar as grandes e as pequenas mortes, partidas, despedidas, rompimentos, quebraduras, mudanças.

Os fins são quase como que aquele trabalho artesanal em que um fio se emenda em outro. Em meio as tramas, ninguém sabe onde termina um e inicia o outro.

O fim puxa um recomeço.

Dentro do casulo a realidade é: visão escura, asas encolhidas, nenhuma experiência em voar a céu aberto. E assim, em movimento absolutamente natural a vida te expulsa para um novo mundo. Você precisa ir soltando as asas, descobrindo suas cores, seu novo corpo e um horizonte inteiro de possibilidades a sua frente.

A verdade é que não nos sentimos prontos. Porém, assim como a borboleta ao sair do casulo atende um chamado de sua natureza - nós também vamos nos descobrindo, reconhecendo nossas forças, tomando consciência das nossas cores a medida que vamos renascendo.

Ao longo da vida, inúmeras vezes somos convidados a recomeçar. Se me permite uma dica: se reconcilie com a sua natureza e entre no fluxo da vida. Aceitar as mudanças já é pôr um pé na estrada.

Ainda que seja desafiador, é possível recomeçar. Palavra de quem o fez.


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